DEFICIENTE OU EFICIENTE?

Segundos os dicionários, deficiência é sinônimo de imperfeição. Mas o que é ser perfeito? Perfeito parece ser algo que é completo, que não possui defeitos, que atinge a excelência. Será que existem pessoas assim no mundo?
Aliás, se esta lógica fosse válida o mundo deveria ser fabuloso, afinal existiria tanta perfeição espalhada por ele. Mas a teoria não condiz com a realidade. Se os deficientes são imperfeitos em função de algo que lhes falta, porque os outros que não se enquadram neste grupo não são perfeitos?
Talvez os dicionários sejam falhos. Ou quem sabe a lógica dos perfeitos seja deturpada. O fato é que a deficiência não desumaniza uma pessoa. Sua humanidade não é diminuída por uma qualidade. Um cego pensa, sente, quer, almeja, brinca, trabalha. O essencial não é tocar a luz com os olhos e permitir ao cérebro imprimir imagens. Não é isto que torna alguém homem ou mulher. Ou pelo menos isto não é o principal.
Ter um sentido limitado não significa demarcar até onde vai à dignidade. Um deficiente ainda é uma pessoa. Permanece indivíduo. E não raro precisa superar suas condições para poder sobreviver neste mundo contaminado pelas aparências. O deficiente precisa ser mais capaz do que os outros, precisa compensar suas limitações para ser percebido e valorizado. É isso o que a nossa sociedade exige dele.
Os deficientes não são imperfeitos. Muito pelo contrário. Não são poucos os casos em que eles se tornam pessoas muito eficientes. Competentes. Obtêm resultados mais significativos que muitas pessoas que se julgam perfeitas.
Perfeição. Imperfeição. Deficiência. Eficiência. Vale a pena meditar um pouco sobre este assunto. Afinal, as aparências enganam.

Texto: Adriano Gonçalves

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